O distrito de Matutuíne, na província de Maputo, sul de Moçambique, está a registar um número crescente da entrada de turistas à procura de lazer, graças à melhoria das vias de acesso à Ponta do Ouro e à Reserva Especial de Maputo.

O aumento da procura turística foi anunciada pelo diretor dos Serviços Distritais de Atividades Económicas (SDAE) em Matutuíne, Paulo Cossa, que disse que no primeiro trimestre de 2017 foi registada naquele distrito a entrada de 51.333 turistas, dos quais 6.123 nacionais e 45.210 estrangeiros.

O plano para o presente ano, segundo Cossa, é de alcançar 85 mil turistas, sendo 11 mil para os nacionais e 74 mil para os estrangeiros, cifra que representa um crescimento de cinco por cento comparativamente com a meta de 48.983 do ano anterior.

“Maior parte dos turistas e registada na localidade da Ponta do Ouro é dominada por turistas estrangeiros, mas o turismo doméstico esta também a registar melhorias significativas”, disse Paulo Cossa.

O distrito, segundo Cossa, dispõe de uma orla marítima bastante atrativa. Conta atualmente com 1.176 quartos, 2.495 camas e cerca de 90 estabelecimentos turísticos.

Para a área de restauração e bebidas, o distrito conta ainda com 53 estabelecimentos com capacidade turística de 482 mesas.

“O turismo no distrito já esta a organizar-se como nossa produção de bandeira, mas temos que olhar também fortemente para a agricultura porque sem comida não há turismo”, disse Cossa.

Cossa apelou aos investidores dos setores de turismo e da agricultura para olharem para o distrito de Matutuíne com atenção especial.

O projeto “Rotas do Fogo: modelo do agro-turismo como reforço das organizações locais do turismo rural e sustentável na ilha do Fogo”, financiado pela União Europeia,  deverá ter início em meados de setembro.

Carla Cossu, responsável da organização não-governamental italiana Cospe,  em declarações à agência cabo-verdiana  Inforpress disse que o projeto terá a duração de dois anos e meio e um financiamento global de 553 mil euros (cerca de 60 mil contos ) dos quais 498 mil euros da União Europeia e  o restante dos demais parceiros e instituições envolvidos.

Este projeto é o resultado de várias iniciativas implementadas pela Cospe e seus parceiros no âmbito do projeto FATA (Fogo, Água, Terra, Ar), base de partida de “Rotas do Fogo”.

Segundo Carla Cossu, o projeto está em linha com as orientações da União Europeia, visando melhorar as condições sociais, económicas e ambientais e propondo soluções sustentáveis para incluir as comunidades rurais beneficiárias no setor do turismo rural.

Como objectivo maior, visa criar oportunidades de rendimento através do turismo, a tutela do património ambiental e das cadeias produtivas locais (agro-pecuárias) e a participação nos processos de desenvolvimento, gestão e decisão local, melhorando as condições socio-económicas e de proteção ambiental nas zonas rurais da Ilha.

O Rotas do Fogo vai trabalhar com as associações locais, como a de guias turísticos de Chã das Caldeiras, dos agricultores das zonas altas de Fogo (Atalaia, Cutelo Alto, Montinho), com produtores locais, com dez pousadas para alojamento, assim como um grupo de funcionários dos três municípios da ilha, um grupo de mulheres e outro de jovens, Parque Natural e Ministério da Agricultura e Ambiente.

Os beneficiarios finais do projecto são os trabalhadores das empresas turísticas e agro-pecuárias, jovens, turistas, e estudantes.

No primeiro ano, vai privilegiar a concepção e dinamização de itinerários de turismo rural, formação para Associação de Guias Turísticos, formação em gestão de agro-turismo, assistência técnica e capacitação sobre processos de produção ecológica e transformação agro-alimentar e criação do agro-parque, com atividades de sensibilização.

Para o segundo ano, está prevista a requalificação de casas rurais destinadas à recepção de turistas, visitas de estudo à Espanha (Ilhas Canárias) e Itália (Garfagnana), remodelação e equipamentos das unidades de transformação agro-alimentar, capacitação para associações e cooperativas rurais e abertura de um ponto de informação turística.

Uma das particularidades do projeto é que num sistema agrícola “parcelado” como o do Fogo, a promoção do modelo de “agro-turismo” representa uma solução ideal para combinar o turismo à atividade agrícola tradicional, destacando o papel do turismo rural como ferramenta de desenvolvimento social e rural, disse à Inforpress a responsável da ONG Cospe.

O governo moçambicano pretende melhorar a prestação de serviços no ramo da indústria hoteleira e áreas de conservação através da cooperação empresarial com o Brasil.

O ministro da Cultura e Turismo, Silva Dunduro, manteve um encontro, quarta-feira (31), em Maputo, com uma delegação empresarial do Brasil, que vai cooperar com o país na capacitação de formadores nas áreas de restaurante, ecoturismo, guias de turismo, intercâmbio de gestão escolar de hotelaria e turismo, entre outras.

Segundo Dunduro, Moçambique precisa de passar de uma cultura que é apenas emocional para uma cultura que gera riqueza reduzindo as desigualdades sociais de certas comunidades, através da promoção de um turismo sustentável a longo prazo.

“Temos um grande interesse em promover um turismo sustentável junto das comunidades sobretudo nas áreas de conservação, porque as pessoas estão lá e têm a relação do meio ambiente, mas também das práticas e vivências locais para trazer riquezas às comunidades”, disse., citado pela agência moçambicana AIM.

Dunduro acrescentou também que já há “uma delegação multi-setorial que vai trabalhar na área da conservação, que vai criar projetos de desenvolvimento e de cooperação bilateral que estimulem o Brasil como um dos centros emissores do turismo para o nosso país”.

Segundo o ministro, Moçambique também pretende buscar experiências brasileiras na área da moda, que considera uma das formas de gerar receitas e reduzir a pobreza.

“No contexto das indústrias culturais e criativas vai ser grande base para a promoção das identidades em termos da indumentária de Norte a Sul”, disse, observando que “o governo moçambicano anseia a criação de parcerias para que a moda moçambicana esteja em muitas partes do mundo”.

Fernanda Fedrigo, coordenadora geral da brasileira Faculdade União das Américas (UniAmérica) considera que Moçambique possui inúmeras diversidades em comum no sector turístico e que a cooperação entre estes países poderá melhorar a delineação de estratégias que assegurem a criação de vários projetos focalizados na educação.

Chrystiano Câmara, superintendente da Mega Moda, no Brasil disse por seu turno, que nos últimos dias a área da moda tem registado avanços no seu país e a forma como a mesma é vendida pode ser utilizada em Moçambique.

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