Os partidos da oposição em Cabo Verde acusam o Governo de estar a preparar, em “absoluto secretismo”, o desaparecimento da companhia aérea TACV, criticando a passagem para a Binter CV das operações domésticas da empresa.

O governo de Cabo Verde anunciou terça-feira que a companhia aérea cabo-verdiana TACV vai fechar, a partir de agosto, a operação doméstica, passando os voos a serem assegurados pela Binter Cabo Verde, em cujo capital o Estado cabo-verdiano entrará com 49%.

Na sua primeira reação, a presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) acusou o Governo de “estar a desmantelar” a companhia aérea e criticou o “absoluto secretismo” em que decorreu todo o processo, informa a agência Lusa.

Citada pela agência cabo-verdiana de notícias Inforpress, Janira Hopffer Almada, manifestou-se preocupada com as medidas anunciadas, assegurando que irá “analisar minuciosamente um dossiê”, que, na sua opinião, merece ser tratado com “ponderação e responsabilidade”.

“A questão que se coloca é, se esta empresa vai ter o monopólio e se vai garantir os serviços mínimos e obrigatórios entre as ilhas. Neste momento, há um conjunto de dúvidas no ar”, disse Janira Hopffer Almada, que criticou o Governo por não divulgar o plano de reestruturação.

Por seu lado, o presidente da União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID, Oposição), António Monteiro, acusou o Governo de estar a preparar o desaparecimento da TACV.

Em conferência de imprensa, no Mindelo, António Monteiro disse estranhar que o executivo não assuma, “de forma clara”, o número de trabalhadores a dispensar, nem o montante das indemnizações.

“Há só blá-blá para fugir à realidade nua e crua que é preparar o desaparecimento da empresa que vai completar 60 anos”, disse o líder da UCID, citado pela Inforpress.

“Passar o monopólio a um privado vai acarretar situações que o país não poderá controlar”, acrescentou.

Para António Monteiro, na origem das medidas anunciadas pelo Governo está o que considerou uma pressão de parceiros internacionais.

“Ao querer responder satisfatoriamente à pressão do Banco Mundial sobre o empréstimo de 90 milhões de dólares nos próximos três anos, o Governo resolve correr para a resolução deste problema”, disse.

Por seu lado, o secretário-geral do Movimento para a Democracia (MpD), que apoia o Governo, defendeu a medida.

“Os nossos parceiros internacionais de financiamento pressionavam para que Cabo Verde deixasse de injetar dinheiro numa empresa estruturalmente deficitária. Manter a subsidiação da TACV estava a sufocar o país, retirando recursos importantes a outras áreas essenciais, tais como a saúde, a educação ou a segurança”, frisou Miguel Monteiro.

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