A insegurança na ilha da Boavista, no arquipélago de Cabo Verde, está a preocupar as autoridades  que pedem “medidas urgentes” ao Governo. Nas últimas semanas, a ilha da Boavista, com significativa afluência turística, tem sido alvo de vários assaltos e roubos, que preocupam os operadores turísticos e agravam o sentimento de insegurança.

No passado dia 15 de junho, um casal de turistas e alguns locais que os tentavam socorrer foram assaltados à mão armada por um grupo de indivíduos encapuzados na zona de Curral Velho.

Na terça-feira, a Polícia Nacional (PN) informou, em comunicado, que deteve quatro suspeitos do assalto, com idades compreendidas entre os 19 e 32 anos.

Na posse dos suspeitos, a polícia encontrou vários dos objetivos pertencentes às vítimas, bem como as armas utilizadas no crime.

A polícia cabo-verdiana indicou que está a averiguar um possível envolvimento dos mesmos indivíduos no assalto mais recente a um restaurante na praia de Chaves, também na Boavista, no dia 08 de julho.

Aumento da criminalidade

Dados da Polícia Nacional indicam que a Boavista é o concelho-ilha onde se registou o maior aumento de crimes no ano passado, com mais 49%.

A ilha, com cerca 16 mil habitantes, é uma das nove habitadas do arquipélago que mais cresceu a nível populacional nos últimos 16 anos, passando de cerca de quatro mil em 2000 para quase 16 mil no ano passado.

Segundo dados do INE, no ano passado 56,1% da população residente na Boavista era natural de outro concelho/país e 12,8% da população era emigrante.

O aumento populacional deve-se ao crescimento turístico, que coloca a ilha como a segunda mais procurada por turísticas em Cabo Verde (31,6%), atrás do Sal (45,6%).

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2016 a ilha tinha 22 estabelecimentos hoteleiros, que representavam 29,3% das camas disponíveis no país, registou 1.664.983 dormidas, equivalente a 40,7% do total nacional.

Mas os assaltos e roubos nos últimos tempos preocupam as autoridades e os cidadãos locais, que pedem medidas ao Governo para dar tranquilidade às pessoas e proteger o destino turístico.

O deputado do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) eleito pela Boavista, Walter Évora, disse que a insegurança na ilha está a ameaçar um dos principais segmentos da economia do país, o turismo, e que se tornou numa preocupação nacional.

Walter Évora apelou, por isso, o Governo cabo-verdiano a “agir imediatamente” e fazer os investimentos necessários para garantir a segurança na ilha, apontando como medidas o reforço dos meios de coordenação e resposta da Polícia e reativação do programa “Turismo Seguro”.

Após um encontro com o ministro das Finanças cabo-verdiano, Olavo Correia, o presidente da Câmara de Turismo de Cabo Verde (CTCV), Gualberto do Rosário, pediu ao Governo um compromisso orçamental para garantir a segurança turística no país.

Sem referir ao caso concreto da ilha da Boavista, o antigo primeiro-ministro pediu maior coordenação entre as polícias e a justiça, nomeação de juízes para agilizar processos de crimes no domínio turístico, revisão da legislação, agravando as penas.

Quem também se mostrou “indignado” perante a onda de assaltos na Boavista é o presidente da Câmara Municipal, José Luís Santos, que exigiu “medidas urgentíssimas” do Governo.

“Os cidadãos na Boavista têm medo de andar nas ruas e sentem-se desprotegidos, pois apesar de reconhecer os esforços que as autoridades polícias têm feito para manter a tranquilidade e ordem públicas, estes são insuficientes e não dispõem de recursos para responder ao aumento da criminalidade”, referiu o autarca em nota de imprensa, citada pela Inforpress.

Por sua vez, o presidente da Comissão Especializada de Economia, Ambiente e Ordenamento do Território do Parlamento, Luís Carlos Silva, do Movimento para a Democracia (MpD, no poder), afirmou que a segurança na Boavista deve ser “acoplada” a vertente ambiental.

Na segunda-feira, o Governo cabo-verdiano estimou diminuir a criminalidade no país na ordem dos 30%, com instalação do sistema de videovigilância nas principais cidades, num projeto que será implementado pela empresa multinacional chinesa de telecomunicações Huawei.

Até janeiro de 2018, a videovigilância será instalada na cidade da Praia, e numa segunda fase, até final do ano próximo ano, chegará às vias públicas das ilhas de São Vicente, Sal e Boavista.

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