Vinho, queijo e limões moldam futuro da ilha grega de Andros

Nos últimos anos, adegas modernas têm revitalizado as vinhas de Andros e colocado a ilha no mapa do enoturismo

A ilha grega de Andros, a segunda maior das Cíclades depois de Naxos, tem uma grande tradição marítima. Durante muitas décadas, a economia local assentou nos homens que se apaixonaram pelo mar e chegaram aos confins do mundo.

á os que ficaram, juntamente com as mulheres da ilha, dedicaram-se à pecuária e à terra. Entre os produtos do fértil vale de Livadia, destaca-se o limão de Andros, um dos mais emblemáticos.

Limões de Andros
Limões de Andros Απόστολος Στάικος

Do século XVII até meados do século XX, fizeram-se grandes exportações para todo o Mediterrâneo, Europa Central e Rússia. Todos os anos, na cidade de Andros, realiza-se a Festa do Limão.

“Celebramos o perfumado limão de Andros, que é famoso. Vêm muitas mulheres e associações locais, com os seus próprios produtos, feitos em casa”, declarou à Euronews Laskaró Stefanou, conselheira responsável pela Cultura no município de Andros.

“O limão é o ouro de Andros. Houve anos em que as pessoas viviam dos limões, agora já não. Mas queremos manter a nossa tradição e, por isso, vimos aqui todos os anos”, afirmou a agricultora e cozinheira Harikleia Daniolou.

Limões de Andros
Limões de Andros Απόστολος Στάικος

A produção pode ter diminuído, mas o limão continua a encher de orgulho os habitantes locais e a conquistar os visitantes com o seu sabor e o seu aroma.

“Os limões de Andros eram muito afamados. A produção era grande e chegavam até ao Mar Negro. Partiam daqui em barcos. Hoje a produção é muito menor, mas continua a ser um produto importante para a nossa terra. Fazemos limonadas, doces de colher e flor de limão, que é muito saborosa e única”, diz Despina Petta, presidente da associação cultural de Mainites.

Limoncello de limões de Andros
Limoncello de limões de Andros Απόστολος Στάικος

Os solos xistosos, os ventos estivais e a maresia criam o microclima ideal para produzir bom vinho. Nos últimos anos, novas adegas modernas têm vindo a recuperar a vinha de Andros e a colocar a ilha no mapa do enoturismo.

A vinha “Kourtesis” desenvolve-se em socalcos de pedra, conhecidos como “aimasiés”, a 100 metros de altitude em relação ao mar. Fica na zona de Ypsilou, perto da Chora. Dispõe de uma adega subterrânea e oferece visitas guiadas e provas de vinho.

Vinhos de Andros
Vinhos de Andros Απόστολος Στάικος

Vasso Chaviaráki é enóloga e natural de Andros. Vivia em Atenas, mas o amor pela terra e uma boa proposta profissional trouxeram-na de volta à ilha.

“Produzimos vinhos biológicos e azeite e o nosso objetivo é dar a conhecer o vinho de Andros aos turistas que nos visitam. Fazemos provas de vinho. Na ilha, tradicionalmente, fazemos vinho e tsipouro em casa. O nosso objetivo é sermos conhecidos em todo o mundo e que venham até aqui para provar o nosso mavrotrágano e o nosso potamisi num nível de produção mais profissional”, afirmou à Euronews a enóloga Vasso Chaviaráki.

Vinhos de Andros
Vinhos de Andros Απόστολος Στάικος

Troy Porter e a esposa vivem no Texas. Gostam muito da ilha, visitam-na todos os verões e promovem-na através das publicações que fazem nas redes sociais.

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Turistas americanos
Turistas americanos Απόστολος Στάικος

Muitos dos seus amigos que vivem nos Estados Unidos querem viajar até Andros.

“Aqui tudo é muito relaxante e tranquilo. É calmo e as pessoas são simpáticas. Há dois anos comprámos casa. Vimos a Andros nos últimos cinco anos. Toda a gente tem energia positiva e trata-nos como se fôssemos da família. Adoramos a atmosfera. Há silêncio. Penso que essa é a palavra-chave: silêncio”, considera Troy Porter.

Na zona de Korthi fica a queijaria “Krevasara” da família Asoutis. Desde 2009, produz o Volaki, o queijo tradicional de Andros, ladotyri e krasotyri, petrotí, ou seja, queijo fresco, e queijo de “bourniá”.

Queijos de Andros
Queijos de Andros Απόστολος Στάικος

Depois de concluir a Escola de Laticínios de Ioannina, Nikos Asoutis regressou à ilha e montou a unidade. Diariamente passam pelas suas mãos cerca de 500 quilos de leite, que recolhe das suas próprias vacas e dos animais de outros cinco produtores de gado bovino da ilha.

“Tem um sabor particular, é feito apenas com leite de vaca. Pasteurizado. A maior parte é produzida na ilha, onde os animais andam em liberdade. Além do mercado local, encontramos estes queijos em Atenas, Salónica e, em geral, em todo o país”, afirmou o queijeiro Nikos Asoutis.

Naturalmente, o empreendedorismo nas ilhas enfrenta dificuldades e desafios. Os custos de transporte dos produtos são elevados e a mão de obra é escassa.

Vim há alguns anos de Atenas, numa tentativa de ajudar Nikos Asoutis, que precisava de mãos. Porque agora isso é um problema muito sério. A vida no interior é muito agradável, é muito bonito dizer que saímos de Atenas e viemos para aqui, mas há muitos problemas. Não há mãos, não há mão de obra para apoiar qualquer empresa”, sublinha a assistente, Maria Doli.

Para além das belas praias e das águas cristalinas, a ilha oferece ao visitante tudo o que precisa para descansar e viver a autêntica hospitalidade do Egeu que em breve o levará de novo à ilha. Os produtos que aqui se produzem são parte integrante da experiência de viagem.

Fonte: https://pt.euronews.com/cultura/2026/07/14/vinho-queijo-e-limoes-moldam-futuro-da-ilha-grega-de-andros