O aeroporto internacional de Lisboa ficou sem abastecimento de combustível às 12:00 (hora local), disse fonte oficial da ANA – Aeroportos de Lisboa, que já tinha admitido antes possíveis “disrupções de serviço”, resultante da greve dos motoristas de transportes de combustíveis. O aeroporto de Faro, no Algarve, está sem combustível desde a noite de segunda-feira.

A ANA já tinha informado desta possibilidade, à semelhança do que tinha acontecido na segunda-feira à noite no aeroporto de Faro, sul de Portugal, onde as reservas de emergência de combustível foram atingidas.

Contactada a Galp, que lidera o GOC, consórcio que abastece, nomeadamente, o aeroporto de Lisboa, fonte oficial disse que a petrolífera “não faz, para já, comentários”.

A ANA tinha admitido esta manhã que, “não tendo sido assegurados os serviços mínimos [na greve nacional dos motoristas de matérias perigosas], e em função do tempo necessário para a requisição civil ter efeitos práticos”, os aeroportos por si geridos podiam “ter disrupções de serviço ao nível operacional”, estando a gestora aeroportuária “a acompanhar a situação em permanência”.

A gestora aeroportuária disse ainda que “no aeroporto de Faro já foram atingidas as reservas de emergência, estando o fornecimento de combustível suspenso, pelas empresas petrolíferas, desde ontem [segunda-feira] à noite”.

Em causa está a greve nacional dos motoristas de matérias perigosas, que começou às 00:00 de segunda-feira, foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica, tendo sido impugnados os serviços mínimos definidos pelo Governo.

Em declarações ao início da manhã de hoje, Francisco São Bento, do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), disse que a estrutura sindical previa que ao início da tarde os aeroportos de Lisboa e Faro ficassem sem combustível.

Segundo os dados do sindicato, ao início da manhã cerca de 40% a 50% dos postos e abastecimento já estavam sem combustível.

Entretanto, a Prio disse que prevê que até ao final do dia de hoje quase metade dos seus postos esgotem os seus depósitos de gasóleo ou gasolina, e que o mesmo possa acontecer nos das restantes marcas na quinta-feira.

A Prio tem hoje cerca de 50 milhões de litros de combustível armazenados no seu parque de tanques em Aveiro, mas encontra-se impossibilitada de transportar este produto para os seus postos onde, como é prática corrente no setor, a capacidade de armazenamento do produto está limitada a poucos dias de vendas, refere a empresa que tem uma rede composta por cerca de 250 postos de abastecimento.

A portaria que efetiva a requisição civil dos motoristas de matérias perigosas em greve desde segunda-feira foi hoje publicada em Diário da República.

A portaria refere que, nos dias 16, 17 e 18 (entre hoje e quinta-feira), “os trabalhadores motoristas a requisitar devem corresponder aos que se disponibilizem para assegurar funções em serviços mínimos e, na sua ausência ou insuficiência, os que constem da escala de serviço”.

A requisição civil produz efeitos até ao dia 15 de maio.

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