O Governo cabo-verdiano espera encaixar quase um milhão de euros com a venda de 7,65% das ações da antiga companhia aérea estatal, agora denominada Cabo Verde Airlines, junto da diáspora, processo que começou na segunda-feira.

De acordo com o anúncio feito hoje pelo vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças de Cabo Verde, Olavo Correia, a venda das 74.650 ações da antiga Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) – entretanto parcialmente privatizada -, cada uma a um preço unitário de 1.457 escudos (13 euros), vai decorrer até 16 de dezembro de 2019.

No total, com este pacote de ações, equivalente a 7,65% da estrutura acionista, o Governo cabo-verdiano espera arrecadar até 108.765.050 escudos (986 mil euros).

“Com isto, o Governo está a cumprir com mais esta importante etapa no processo de privatização da TACV”, afirmou Olavo Correia, recordando que nas fases anteriores da privatização da companhia foi feita a alienação da maioria do capital a um parceiro estratégico e posteriormente realizada a venda de ações aos trabalhadores.

“Certamente a venda à diáspora também o será. A nossa diáspora sempre teve um papel importante no trajeto de Cabo Verde. Merece esta oportunidade”, afirmou o governante.

O processo faz parte da reestruturação da antiga TACV, em que a primeira iniciativa foi a venda de 51% das ações da empresa aos islandeses da Icelandair, passando a chamar-se Cabo Verde Airlines (CVA).

O Estado de Cabo Verde passou a deter 49% das ações, e optou por vender 10% aos trabalhadores e aos emigrantes cabo-verdianos, num total de 100 mil ações, e os restantes 39% a investidores institucionais (390 mil ações).

Um total de 91 trabalhadores da antiga transportadora aérea pública cabo-verdiana tornaram-se acionistas da empresa, numa operação que aconteceu pela primeira vez, enquadrada no processo de reestruturação da agora privada Cabo Verde Airlines.

Segundo o anúncio feito em 20 de setembro, em conferência de imprensa realizada na cidade da Praia, pelo secretário de Estado das Finanças cabo-verdiano, Gilberto Barros, a venda das ações aos trabalhadores da CVA foi iniciada a 01 de julho e concluída a 01 de setembro.

Segundo o governante, a venda direta aos 91 trabalhadores foi feita através da Bolsa de Valores de Cabo Verde, num total de 25.350 ações – equivalente a 2,65% do total -, a um preço de 1.457 escudos cada (13 euros), sendo que os trabalhadores tiveram direito a um desconto de 15% em cada ação.

O encaixe financeiro para o Estado foi de 31,4 milhões de escudos (284,8 mil euros), contabilizou Gilberto Barros, indicando que o número de trabalhadores que adquiriram ações corresponde a menos de 30% do total dos cerca de 320 funcionários.

Ao entrarem no capital da companhia, Gilberto Barros disse que os trabalhadores da agora CVA poderão também receber dividendos, caso a empresa dê lucro no final de cada exercício financeiro.

“É novo, é a primeira vez para esta empresa e é uma boa realização”, enfatizou o secretário de Estado das Finanças.

E até ao final do ano garantiu que serão vendidos os 39% de ações do capital social da empresa aos investidores institucionais, num processo em que neste momento a procura é muito superior a oferta, pelo que vai ser realizado por meio de leilão competitivo.

“É claro que os investidores institucionais acreditam que esta empresa vai gerar lucro e querem investir fortemente”, salientou o governante, para quem o processo de reestruturação e privatização da transportadora aérea cabo-verdiana está a ser bem-sucedido.

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