A transportadora aérea de Cabo Verde (TACV) vai reforçar os voos para Portugal, o único país para onde voa neste momento, a partir de 04 julho, aumentando de duas para seis frequências semanais.

A TACV anunciou, em comunicado divulgado terça-feira (17), que vai aumentar a partir de 4 de julho  para três semanais (actualmente são duas) as ligações entre Praia e Lisboa, realizando-se às quartas, sextas e domingos, com regresso à capital cabo-verdiana às segundas, quintas e sábados.

A companhia de bandeira nacional passará a voar da ilha do Sal para Lisboa às quartas e sábados (actualmente há uma ligação por semana) e regresso às segundas e sextas, e de São Vicente para a capital portuguesa às segundas e quintas (um voo actualmente por semana) e regresso à ilha cabo-verdiana às quartas e domingos, já com recurso ao Boeing 737-700 fornecido pela angolana TAAG em regime de ‘leasing’.

“A TACV – Cabo Verde Airlines vem, gradualmente, ajustando a operação com base na evolução da pandemia da covid-19 e a recuperação dos mercados emissores”, diz a nota, acrescentando que “já está a operar com tripulação mista”, ou seja, tripulação angolana e cabo-verdiana.

O objectivo, acrescentou, é “operar com tripulação 100% cabo-verdiana no início do mês de Junho”

A presidente do conselho de administração da TACV, Sara Pires, disse, segunda-feira, que a empresa precisa dispensar 42 dos mais de 200 trabalhadores para poder manter o equilíbrio.

Aquela responsável, que falava esta segunda-feira aos jornalistas a meio de uma audição na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Nacional à privatização da companhia cabo-verdiana, disse, entretanto, que o despedimento só acontecerá em último caso.

“A empresa precisa ser redimensionada para fazer jus ao número de aparelhos que nós temos previsto operar. São três aparelhos e com isso registamos o excesso de pessoal que tem de ser dispensado. Nós priorizamos o acordo de pré-reforma e mútuo acordo. Despedimentos serão sempre em último caso e este processo tem estado a decorrer de uma forma natural”, disse.

Sara Pires afirmou que o maior desafio da administração da TACV é manter a companhia a voar, sobretudo, neste momento, em que a situação financeira da empresa veio a agravar-se com os aumentos dos preços dos combustíveis.

“O grande desafio da empresa é manter a companhia a voar. O aumento dos combustíveis é uma situação que vem agravar a situação financeira da empresa, mas é algo que temos de saber gerir muito bem para podermos contornar esta fase que esperamos ser curta”, disse.

“O aumento dos preços dos combustíveis era algo que, quando elaboramos o plano de retoma e estabilização, em Dezembro, não levamos em conta. Portanto, aquilo que depender de nós tudo faremos para que a empresa possa atingir um grau de sustentabilidade e não dependa dos avais do Estado para sobreviver”, disse.

Contudo, alertou que há factores externos que a administração não controla e que poderão ditar a necessidade de a empresa necessitar de ajudas do Estado.

Para além do aumento dos preços de combustíveis, neste momento, a empresa está a ser obrigada, por alguns parceiros, a fazer o pronto pagamento, uma situação que também preocupa, já que, segundo Sara Pires, a empresa não tem rendimentos para fazer face às despesas diárias e custos futuros.

“O pagamento a pronto gera constrangimentos porque a empresa tem de ter disponibilidade financeira na hora para pagar as despesas que vai incorrer no futuro. Isso gera constrangimentos porque a empresa não gera rendimentos suficientes que lhe permita ter uma grande despesa hoje de um custo que só vai ocorrer mais à frente”, disse.

Ainda assim, Sara Pires declara-se “optimista”, salientando que a retoma das operações iniciada em Dezembro do ano passado, tem estado a decorrer num “bom ritmo” com uma taxa de ocupação que considera “boa” na rota de e para a Praia, com média de 80 por cento (%).

A responsável recordou que a empresa iniciou de forma “muito tímida”, apenas com um voo semanal Praia – Lisboa, que aumentou para dois e ainda introduziu outras como rotas de São Vicente e do Sal.

“A nossa expectativa é poder reiniciar as operações nas outras rotas, sempre com o entendimento de que a empresa deve dar passos firmes nessa retoma para não cometer falhas”, disse.

Para já, Sara Pires informou que após a conclusão do processo de certificação do avião alugado à transportadora aérea angolana (TAAG) e que tem operado os voos de e para Lisboa já tem matrícula cabo-verdiana e a operar em regime de ‘dry lease’, ou seja, com tripulação cabo-verdiana e todos os restantes custos pagos por Cabo Verde.

A empresa, indicou, está em processo para aquisição de um novo avião para retomar as operações ainda este ano para Boston, Brasil e Paris.

Para além de Sara Pires, foi ouvido nesse primeiro dia de audição em sede da CPI o ex-presidente do conselho de administração, José Sá Nogueira. Prevê-se durante os próximos dias a audição de diversas personalidades ligadas ao processo da privatização da TACV.

Em Agosto de 2017, o grupo Icelandair, da Islândia, assumiu a gestão do negócio internacional da companhia aérea pública cabo-verdiana e em Março de 2019 o Estado de Cabo Verde vendeu 51% da TACV por 1,3 milhões de euros à Lofleidir Cabo Verde.

Entretanto, na sequência da paralisação da companhia durante a pandemia de covid-19, o Estado cabo-verdiano assumiu em 06 de Julho de 2021 a posição de 51% na TACV, alegando vários incumprimentos na gestão, e dissolveu de imediato os corpos sociais.

Escrito por: África 21 Digital

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