A transportadora aérea Ryanair anunciou não registar perturbações, além dos voos anteriormente cancelados para 50 mil passageiros, devido à greve de tripulantes de cabine em Portugal, Espanha e Bélgica. Em comunicado, a companhia aérea de “baixo-custo” ameaça as tripulações com  despedimento.

Na única publicação sobre a greve colocada na rede social Twitter nesta quarta-feira (25), a companhia irlandesa de baixo custo Ryanair informou não ter havido “mais interrupções nesses países e todos os voos programados estão a ser operados hoje normalmente”.

No entanto, na página da ANA-Aeroportos de Portugal surgiram, pelas 12:30 (hora local), 19 registos de cancelamentos de voos de e para os aeroportos de Lisboa e do Porto nesta quarta-feira. No aeroporto de Faro não há indicação de cancelamentos.

A empresa pediu desculpas aos 50 mil passageiros afetados na Bélgica, Espanha e Portugal que viram os seus voos de hoje cancelados devido à greve.

O Sindicato do Pessoal de Voo da Aviação Civil informou às 09:00 de hoje que cerca de 50% dos voos da Ryanair com partida e chegada aos aeroportos do continente foram cancelados devido à greve dos tripulantes de cabine.

“Neste momento temos cerca de 50% de voos cancelados nas três bases de Portugal continental [Faro, Lisboa e Porto] e neste momento em Ponta Delgada [Açores] temos a informação de que um voo irá realizar-se”, disse à agência Lusa o sindicalista Bruno Fialho, do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC).

Os tripulantes de cabine da transportadora aérea Ryanair cumprem hoje e quinta-feira uma greve em Portugal, Espanha e Bélgica para exigirem a aplicação da lei nacional laboral, enquanto em Itália a paralisação é de 24 horas.

No âmbito da greve, a Ryanair decidiu cancelar antecipadamente voos, um número que em Espanha deverá chegar aos 400 e na Bélgica e em Portugal 200.

A companhia estimou que os cancelamentos possam envolver até 50 dos mais de 180 voos diários operados de e para Portugal (27%).

Na paralisação dos tripulantes de cabine em Portugal, no período de abril, a empresa foi acusada de ter recorrido a trabalhadores de outras bases para minimizar o impacto da paralisação.

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil tem denunciado, desde o início da paralisação, que a Ryanair substitui ilegalmente grevistas portugueses, recorrendo a trabalhadores de outras bases.

A empresa admitiu ter recorrido a voluntários e a tripulação estrangeira durante essa greve.

Hoje, Bruno Fialho revelou ter sido feita uma “coação sobre os trabalhadores”, ao ser enviada uma “carta ameaçando os mesmos de que se não fossem voar em dias de folga e que batiam nos dias da greve iriam ser despedidos”.

Questionado sobre a carta, o diretor de marketing da Ryanair, Kenny Jacobs, recusou que o conteúdo se relacionasse com a greve, garantido ser gestão de recursos em “época do pico do verão”.

Nas cartas dirigidas aos trabalhadores, a que a agência Lusa teve acesso, lê-se que na revisão do planeamento “é necessário emendar” turnos e que os funcionários devem apresentar-se para os “deveres agendados nesta data (dias 25 e 26) na linha do contrato de trabalho”.

“Infelizmente, em tempos desafiantes como este, os nossos passageiros têm que vir em primeiro ligar e assim temos que garantir que temos tripulação suficiente para cobrir o nosso horário. A falha em preencher estes deveres vai resultar em ação disciplinar até e incluindo despedimento” e falta de pagamento de bónus de produtividade”, lê-se.

Para o sindicalista, esta carta da Ryanair “é crime”.

Por essa razão, a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) tem, “desde a semana passada, vindo a acompanhar esta situação e a desenvolver todos os passos necessários para identificar situações que possam, eventualmente, ferir a legalidade do nosso quadro constitucional do direito à greve”, acrescentou.

A decisão de partir para a greve foi tomada a 05 de julho numa reunião, em Bruxelas, entre vários sindicatos europeus para exigirem que a companhia de baixo custo aplique as leis nacionais laborais e não as do seu país de origem, a Irlanda.

Com a greve, os trabalhadores querem exigir que a transportadora irlandesa aplique a legislação nacional, nomeadamente em termos de gozo da licença de parentalidade, garantia de ordenado mínimo e que retire processos disciplinares por motivo de baixas médicas ou vendas a bordo dos aviões abaixo das metas definidas pela empresa.

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