A procura turística em Cabo Verde deverá recuar este ano a níveis de 2009, devido à pandemia de covid-19, com a perda de 536 mil turistas face à previsão inicial do Governo.

A previsão consta de um documento de suporte à proposta do Orçamento Retificativo para 2020 apresentada na terça-feira à Assembleia Nacional pelo Governo cabo-verdiano, que aponta para uma quebra de 58,8% na procura turística, face aos 819 mil turistas que o arquipélago recebeu em 2019.

No Orçamento do Estado para 2020, aprovado em dezembro, o Governo estimava um crescimento da procura turística de 6,6%, aproximando-se da meta anual de um milhão de turistas, depois de um crescimento de 7% em 2019.

Contudo, na previsão do Governo que consta do documento de suporte orçamental, Cabo Verde deverá receber este ano apenas 337.555 turistas. Deste total, 170.778 são turistas que já visitaram o país no primeiro trimestre de 2020, pelo que até final do ano o país deverá receber pouco mais de 165.000 turistas.

Desde 19 de março que todas as ligações aéreas internacionais a Cabo Verde estão suspensas por decisão do Governo, para travar a propagação da covid-19 no arquipélago, restrição que só deverá ser levantada a partir de agosto.

O turismo representa praticamente 25% do Produto Interno Bruto de Cabo Verde e esta revisão em forte baixa das previsões para 2020 reflete-se desde logo numa quebra de 66,1% nas receitas com o setor. As receitas com o turismo renderam em 2019 um máximo histórico de 43.103 milhões de escudos (389 milhões de euros), mas segundo a previsão do Governo deverão cair este ano para 15.086 milhões de escudos (136 milhões de euros).

O arquipélago de Cabo Verde conta com um acumulado de 1.227 casos da doença diagnosticados desde 19 de março e um total de 15 óbitos, mas 608 já foram dados como recuperados pelas autoridades de saúde.

A crise económica e sanitária provocada pela pandemia de covid-19 em Cabo Verde vai obrigar o Governo a aumentar a dotação do Orçamento do Estado (Retificativo) deste ano em 2,7%, para 75 mil milhões de escudos (680 milhões de euros), mas com o Governo a garantir que não haverá cortes salariais ou aumentos de impostos.

“Não podemos acrescentar em cima de uma crise económica forte, de uma recessão económica forte, elementos que poderiam amplificar ainda mais a dimensão da recessão”, afirmou anteriormente o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia.

A dotação orçamental para 2020 prevê assim um aumento de 2.000 milhões de escudos (18,1 milhões de euros) face ao Orçamento do Estado em vigor. O Governo estima ainda perder 20 mil milhões de escudos (181 milhões de euros) com receitas fiscais, devido à crise económica.

A proposta de orçamento prevê o recurso ao endividamento público, com um ‘stock’ estimado equivalente a 150% do PIB até 2021.

O Orçamento do Estado em vigor previa um crescimento económico de 4,8 a 5,8% do PIB em 2020, na linha dos anos anteriores, uma inflação de 1,3%, um défice orçamental de 1,7% e uma taxa de desemprego de 11,4%, além de um nível de endividamento equivalente a 118,5% do PIB.

Previsões drasticamente afetadas pela crise económica e sanitária decorrente da pandemia de covid-19 e refletidas nesta nova proposta orçamental para 2020: Uma recessão económica que poderá oscilar entre os 6,8% e os 8,5% e um défice das contas públicas de até 11,4% do PIB.

“Esses dados tendem a piorar em função dos riscos que temos, em função dos riscos que temos no que tange ao desconfinamento, ao ‘timing’ para a descoberta da vacina ou da cura e para a retoma da atividade económica normal, sobretudo na perspetiva da conectividade de Cabo Verde com o mundo”, alertou Olavo Correia.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 507 mil mortos e infetou mais de 10,37 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

O presidente da Cabo Verde TradeInvest, José Almada Dias, disse hoje que o país está empenhado em atrair investimentos do mercado escandinavo, sobretudo para o turismo residencial e a economia marítima, tendo criado uma representação na Suécia.

“Estamos a inovar, porque é uma zona do globo de grande potencialidade, pela capacidade financeira das pessoas e porque é uma zona de emissão de turismo forte”, disse Almada Dias, em entrevista à agência Lusa.

O presidente lamentou apenas o facto de o país não ter representações diplomáticas nesses países escandinavos: Suécia, Noruega, Finlândia, Dinamarca e Islândia.

“Criámos ali uma representação, vamos começar a trabalhar fortemente nesse mercado, numa ótica de atrair investidores dessa região”, prosseguiu a mesma fonte, dando como exemplo a Noruega, que é uma potência mundial em tudo o que é economia marítima, desde a pesca, aquacultura e exploração de minérios em grande profundidade.

A Cabo Verde TradeInvest é a agência responsável pela tramitação dos projetos, uma espécie de ‘front office’ do Estado e o investidor.

A aprovação dos projetos é sempre feita pelo Governo, com a agência a regressar depois para emitir um certificado de investidor, que terá direito a uma série de incentivos do Estado, desde fiscais e aduaneiros.

Além da economia marítima, Almada Dias disse que o país quer atrair turistas desses países, como os reformados, para comprarem casa em Cabo Verde que depois permitirá ao arquipélago “apostar seriamente” no turismo de saúde e bem-estar, um dos segmentos mais rentáveis do mundo.

“E Cabo Verde, pelo seu clima, sua estabilidade, tem condições muito propícias para esse tipo de turismo. Estamos a fazer uma aposta forte na diversificação, mesmo dentro do turismo, e esta questão de tentar outros mercados é para nós fundamental”, enfatizou o responsável institucional.

Associado ao turismo dos reformados, Almada Dias disse que a agência vai fazer uma “campanha forte” do ‘Green Card’, que é uma lei que permite que as pessoas com outra nacionalidade comprem casa em Cabo Verde e têm acesso à residência.

“É uma lei muito importante, outros países fizerem isso antes e estimulou bastante o turismo residencial, a imobiliária e construção civil”, mostrou o presidente, referindo que o país quer também atrair cada vez mais a sua diáspora, com um estatuto de investidor emigrante.

Outro mercado que Cabo Verde gostaria de atrair mais é o chinês, quanto mais não seja porque o país tem um delegado junto do Fórum Macau, mas o líder da CV TradeInvest disse à Lusa que “não é fácil, porque muita gente bate à porta da China”.

“E nós estamos um bocadinho foram do mapa, os chineses viajam é para Europa, Estados Unidos, mesmo dentro da Ásia, onde há muitos destinos. Não é fácil atrair investimentos daquela região, mas estamos a fazer um trabalho paciente e vamos tentar fortalecer nos próximos anos”, perspetivou.

Ainda assim, Almada Dias deu como exemplo muitas lojas chinesas em Cabo Verde e o empreendimento turístico na cidade da Praia do empresário macaense David Chow, um investimento estimado inicialmente em 250 milhões de euros.

José Almada Dias foi nomeado em março pelo Governo presidente da Cabo Verde TradeInvest, substituindo Ana Barber, que foi assumir o cargo de comissária-geral de Cabo Verde junto da Expo 2020, no Dubai.

Na atual conjuntura, com limitação de contactos físicos e de viagens por causa da pandemia do novo coronavírus, o presidente disse que a estratégia para promover o país no estrangeiro através do marketing digital, a rede de embaixadores, para a tão falada diplomacia económica.

Além de atrair investidores estrangeiros, Almada Dias disse que outro objetivo é a promoção de uma forte classe empresarial nacional.

“É muito bom atrair investimento externo, todos os países têm de fazer isso, mas se nós não criarmos uma forte classe empresarial, que seja interventiva nos setores estratégicos económicos, o país nunca se desenvolverá”, mostrou.

Para conseguir esse objetivo, disse que a CV TradeInvest vai “trabalhar fortemente” com as câmaras de comércio e com todos os representantes dos empresários do país, para “fazer a triagem” dos muitos projetos em várias áreas e “encorajar” a classe empresarial mais jovem.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) piorou hoje (29) a previsão de evolução da economia de Angola, antecipando agora uma recessão de 4% este ano, o que coloca o PIB angolano em queda pelo quinto ano consecutivo.

“Em Angola, a atividade económica deverá continuar a cair pelo quinto ano, com o PIB a cair 4% em 2020, ou seja, 2,6 pontos percentuais pior do que o estimado em abril”, lê-se na atualização das Previsões Económicas para a África subsaariana, hoje divulgadas em Washington.

A degradação das estimativas “reflete o declínio na produção e nos preços do petróleo, o agravamento das condições de crédito e o declínio da atividade empresarial interna”, acrescentam os analistas, que notam que “a solidez dos preços do petróleo e as medidas de apoio político devem ajudar a economia a recuperar para um crescimento de 3,2% em 2021”.

A nível global, o FMI piorou a previsão de crescimento para a África subsaariana, antecipando uma recessão de 3,2%, atirando quase 40 milhões de pessoas para a pobreza extrema e anulando dez anos de desenvolvimento.

“A economia regional deve contrair-se 3,2%, o que é 1,6 pontos percentuais pior que o projetado em abril, e mostra uma redução da previsão de crescimento em 37 das 45 economias, e em termos nominais o PIB da região vai ser 243 mil milhões de dólares menor que o projetado em outubro de 2019”, lê-se no relatório sobre as novas previsões do Fundo.

A atualização mostra a severidade da pandemia da covid-19 e assume que a situação é pior e a recuperação será mais lenta do que os analistas do FMI tinham antecipado em abril, quando estimavam um crescimento económico negativo de 1,6%, já assim o mais profundo das últimas décadas.

O número de mortos em África devido à covid-19 subiu para 9.657, mais 173 nas últimas 24 horas, em mais de 382 mil casos, segundo os dados mais recentes sobre a pandemia no continente.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 500 mil mortos e infetou quase 10,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Escrito por: África 21 Digital

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