Receitas dos hotéis portugueses cresceram 3% em março, com o Brasil a destacar-se pela procura que gerou nos estabelecimentos lusos.

O Brasil foi em março o mercado emissor de turistas estrangeiros que mais cresceu em Portugal, com as dormidas desse mês, quase 198 mil, a apresentar um crescimento de 28% em relação a 2018. Os números são do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Com o forte impulso de março, a procura brasileira pelos estabelecimentos portugueses teve no primeiro trimestre um crescimento homólogo de 7,3%. Só os Estados Unid0s, Itália, Canadá e China estão a crescer mais este ano entre os maiores mercados emissores de turistas estrangeiros para Portugal, segundo o INE.

Em números de dormidas, o Brasil é o quinto maior emissor de turistas estrangeiros para Portugal, atrás apenas de Reino Unido, Alemanha, Espanha e França.

Em março as receitas do setor hoteleiro em Portugal movimentaram 247 milhões de euros, mais 3% que no ano anterior. No total do primeiro trimestre houve uma subida dos proveitos de 4,9%.

Considerando somente março, embora a procura tenha recuado 0,2% (houve crescimento das dormidas de portugueses, mas um decréscimo da procura dos estrangeiros), o número de hóspedes subiu 3,5%.

O INE alerta que “estes resultados estão condicionados pelos diferentes meses das épocas festivas face ao ano anterior, por um lado beneficiando do Carnaval em março de 2019 (no ano anterior em fevereiro), mas, por outro, sujeitos ao efeito base desfavorável da Páscoa em março de 2018 (no corrente ano celebrada em abril)”.

A secretária de Estado portuguesa do Turismo, Ana Mendes Godinho, rejeitou que exista qualquer “euforia” ou “bolha” no setor, e reconheceu que ainda “há muito a fazer” em termos de sustentabilidade ambiental.

“Não me parece que haja razões para euforia, há razões objetivas para olhar para um setor que neste momento representa 18,6% das exportações e 13,7% do PIB [produto interno bruto], se olharmos para o consumo turístico interno”, disse, segunda-feira (13),Ana Mendes Godinho.

A secretária de Estado falava aos jornalistas à margem da tomada de posse dos novos órgãos sociais da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), que decorreu num hotel, em Lisboa.

“Não me parece que haja uma bolha”, salientou, referindo que o objetivo do país é que exista um “crescimento sustentável”, que aposta na “coesão territorial” e na “valorização de quem trabalha no turismo”.

No entanto, em termos de sustentabilidade ambiental, a governante reconhece que Portugal tem “ainda muito por fazer” para garantir que seja “um dos destinos mais sustentáveis do mundo”.

“Já fomos considerados o destino mais sustentável da Europa este ano, mas tem de ser um trabalho em contínuo, e há muitíssimo a fazer”, afirmou aos jornalistas.

Por sua vez, na cerimónia de tomada de posse dos órgãos da AHP, o presidente da associação, Raul Martins, referiu que “o esgotamento do aeroporto Humberto Delgado [em Lisboa] afeta todo o país, uma vez que é a principal porta de entrada em Portugal”, e que a adição do aeroporto do Montijo permitirá “passar de 55 milhões de passageiros por ano para 76 milhões”.

De acordo com Raul Martins, o aeroporto complementar do Montijo terá “um impacto em toda a economia nacional, que pode fazer crescer o PIB em cinco pontos percentuais”.

No entanto, o responsável hoje empossado alerta para que “o ressurgimento dos destinos do Mediterrâneo irá naturalmente afetar alguns mercados emissores de turistas para Portugal”, o que obrigará o país a “maior agilidade e eficácia na promoção”.

No segmento de mercados emissores de turistas, Raul Martins referiu ainda que “o Brexit [saída do Reino Unido da União Europeia] perturba o mercado” proveniente daquele país, que “ tem um peso muito expressivo como mercado emissor de dormida, hóspedes e receitas, pelo que é natural alguma inquietude quanto ao impacto que terá no turismo nacional”.

A nível de regulação do Alojamento Local, o presidente da AHP apelou para que “os alojamentos locais de caráter coletivo – ‘hostels’, ‘guesthouses’ e estabelecimentos de hospedagem – sejam enquadrados na esfera dos empreendimentos turísticos”, e que “não faz sentido que quando todos servem o mesmo mercado de alojamento para turismo se exija para uns muito mais do que se exige para outros”.

O presidente da AHP disse ainda que “os contratos coletivos de trabalho existentes não são ajustados à indústria hoteleira atual” e que a associação tem negociado com os sindicatos.

O administrador-executivo da Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde diz que o país quer dar uma “resposta rápida” para receber turistas chineses, “o principal emissor de turistas no mundo”.

“Sendo o mercado chinês gigantesco e o principal emissor de turistas no mundo, obviamente Cabo Verde irá trabalhar para ter essa cota parte e receber (…) os turistas chineses, recebê-los bem e ter uma oferta diferente”, afirmou, em declarações à Lusa, Fernando Cruz, à margem do encerramento do “Colóquio sobre Turismo, Convenções e Exposições para os Países de Língua Portuguesa”, em Macau.

O país africano quer “dar uma resposta rápida para que os chineses possam cada vez mais visitar as ilhas”, sublinhou, acrescentando que esse foi mesmo um dos principais temas abordados no colóquio, além de dar a conhecer a oferta “promovendo o destino de Cabo Verde”.

“Cabo Verde é um país com uma economia aberta, todos os investidores são bem-vindos. A China é um parceiro de Cabo Verde já há muitas décadas (…) com grandes investimentos em várias ilhas”, disse.

Fernando Cruz lembrou ainda o investimento feito na Universidade de Cabo Verde e outros, como por exemplo na área desenvolvimento marítimo na ilha de São Vicente.

Em relação ao investimento chinês na área do turismo, o administrador-executivo da Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde destacou que na praia da Gamboa está a crescer o maior empreendimento turístico previsto para Cabo Verde, com um investimento superior a 200 milhões de euros, estando a ser feito pelo empresário de Macau David Chow.

“Será importantíssimo para a questão da mão de obra, no sentido de dar trabalho (…), um emprego digno, um emprego qualificado, onde a Escola [de Hoteleira e Turismo de Cabo Verde] foi convidada já para participar na formação dos futuros colaboradores”, enfatizou o responsável.

O administrador executivo da Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde lembrou também que vários estudantes cabo-verdianos estão a estudar “quer em Macau, quer também na China” e “muitos são grandes quadros que já regressaram a Cabo Verde”.

Em declarações à Lusa, no dia 26 de abril, à margem da 7.ª Expo Internacional de Turismo de Macau, o diretor-geral do Turismo e Transportes de Cabo Verde, Francisco Sanches Martins, afirmou que este complexo turístico com hotel, marina, centro de convenções e casino “vai permitir incrementar mais essa ligação [com Macau e a China] com a realização do projeto” que espera estar pronto daqui a mais ou menos três anos”.

Desde 23 de abril, delegações dos oito países lusófonos estiveram reunidas em Macau para participar no “Colóquio sobre Turismo, Convenções e Exposições para os Países de Língua Portuguesa”, organizado pelo Fórum de Macau.

Outro dos destaques das duas semanas da estadia dos representantes lusófonos foi a sessão de apresentação dos produtos turísticos dos países de língua portuguesa, que decorreu na 7.ª Expo Internacional de Turismo de Macau.

Este ano, o evento contou com 835 expositores, com todos os países lusófonos presentes, e com o dobro da área de exposição de 2018, atingindo os 22.000 metros quadrados.

Em 26 de abril, cada um dos oito países lusófonos teve a oportunidade de realizar uma apresentação sobre as mais-valias turísticas que os países têm para oferecer.

Três dos pontos destacados pelos representantes lusófonos foi o reforço do intercâmbio entre as universidades, a concretização de planos ao nível da formação e as oportunidades para os países de língua portuguesa com a criação do “megamercado” da Grande Baía, uma metrópole mundial que junta nove cidades chinesas, Macau e Hong Kong, com cerca de 70 milhões de habitantes.

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